Na aula “Diversidade/Pluralidade Cultural na Escola” busca-se expor como o tema da diversidade cultural/étnica toma novos contornos a partir do final da década de 1990, com a publicação de parâmetros e diretrizes educacionais, além novas leis e definições sobre o tema. Para levantar questões sobre o complexo e urgente desafio de se lidar com as diferenças, que se multiplicam e deslocam no contexto escolar, analisam-se as seguintes categorias: O outro como fonte de todo mal; O outro como sujeito pleno de uma marca cultural e O outro como alguém a tolerar.
O Vídeo possui um conteúdo denso, de difícil síntese pois todos os aspectos levantados pela professora são muito pertinentes e seus comentários são bastante esclarecedores (é difícil deixar de citar algum deles).
Partindo da relação entre o tema da diversidade / pluralidade e a escola, a professora abre a vídeo-aula com a seguinte questão: como nós educadores conseguimos lidar com essa questão da diversidade / pluralidade na escola?
Ela observa que o mais importante a ser pensado é: “quais são os valores contemplados para que uma educação que visa a diversidade seja possível?”
No Brasil a diversidade é marcante tanto nas escolas como na sociedade como um todo: se antes a escola era para um pequeno grupo agora temos todos os setores sociais na escola.
A primeira dificuldade em relação à discussão a respeito da diversidade é que termos variados são utilizados: diferença, diversidade, pluralidade, multiculturalismo...
Mas o importante é ressaltar que, embora esses termos trabalhem com a mesma questão que é o grande número de diferentes culturas, etnias... cada um desses termos traz diferenças epistemológicas bem distintas.
Outra dificuldade que causa grande tensão é a decisão a respeito do que deveria ser contemplado na escola:
a igualdade de todos? Ou
a diferença de cada grupo específico? Ou
a diferença de cada uma das identidades?
Essa é uma questão difícil, mas deve ser possível através de algumas ações e muita criticidade.
A professora passa, então, a apresentar três categorias da diversidade definidas pelos autores Silvia Duschatzky e Carlos Skliar em “O Nome dos Outros: narrando a alteridade na cultura e na educação”
- o outro como fonte de todo mal (e cita exemplos, como a visão nazista)
- o outro como sujeito pleno de uma marca cultural (como se não tivesse outras características)
- o outro como alguém a tolerar (sem que a diferença seja trabalhada; apenas aceita-se a coexistência)
A professora afirma que devemos lembrar que a escola é uma instituição cultural muito privilegiada pois através dela nós podemos tanto enaltecer os preconceitos como criticá-los: isso depende de uma série de ações tomadas não só em sala de aula mas por todo ambiente educativo.

Como ilustração do que foi dito, a professora apresenta uma charge de autoria de Tonucch que mostra como muitas vezes nossa avaliação ou nosso trabalho em sala de aula torna-se muito arbitrário afinal só julgamos o normal e o correto aquele que é igual a nós, tornando a diferença impossibilitada ou relegada até à violência (que é o grande problema quando não sabemos lidar ou quando não estimulamos essa questão como deveríamos).
A professora passa a citar diretrizes do âmbito federal sobre essa temática mas antes contextualiza que, embora a diversidade no Brasil seja bastante notória desde os tempos da colonização, só há muito pouco tempo que essas questões chegaram às diretrizes educacionais e só chegaram pela luta de grupos (principalmente do movimento negro e do movimento indígena, além de vários outros movimentos que lutam seja pela sexualidade ou que atuam no âmbito religioso). Ou seja, sem a luta desses movimentos, talvez essa questão das diferenças ainda não seria assunto educacional, talvez não fosse levada em consideração na abordagem curricular.
Somente na constituição de 1988, na redemocratização, é que o tema da pluralidade passou a ser abordado (ainda de forma discreta): um artigo que determina que o ensino de história do Brasil deve levar em consideração todos os povos e etnias que compõem a nação brasileira.
Em 1996, a LDB (Lei de Diretrizes e Bases) apresenta alguns parágrafos destinados a esta questão da diferença mas com um foco maior na questão da educação indígena (também pela militância desse movimento).
Somente em 1998, com a publicação dos parâmetros curriculares nacionais, a pluralidade cultural passa a ser um dos temas transversais da educação brasileira ao lado de ética, saúde, meio ambiente, sexualidade, trabalho e consumo.
A partir de 1998, a pluralidade cultural aparece como um dos temas a ser tratado como tema transversal na nossa educação (tema transversal não significa uma matéria que deve ser diretamente aplicada, mas um tema que atravessa todos os segmentos da nossa educação).
Em 2003, a assinatura da lei 10.639 traz a obrigatoriedade da educação de história da áfrica e de cultura afro brasileira nas escolas. Essa lei é um grande marco, principalmente pela militância do movimento, e ela será ainda complementada, em 2008, na lei 11.645 que estende essa mesma obrigatoriedade também para a cultura indígena.
Dois anos mais tarde, em 2005, é publicada a Diretriz Curricular Nacional para Educação Étnico Racial e para a história da África e cultura afro-brasileira. Nessas diretrizes encontramos uma série de demandas trazidas pelo movimento negro para que a questão da discriminação e preconceito racial fosse melhor abordada nas escolas.
Em 2007, outro marco: a publicação do programa ética e cidadania que também traz uma série de elementos como inclusão, direitos humanos, ética, cidadania... através de textos de autores consagrados e traz também algumas ideias de atividades para que esse trabalho seja contemplado no âmbito das escolas.
Em 2010, a assinatura do Estatuto da Igualdade Racial que não é diretamente vinculado à educação mas traz preceitos que nos ajudam a pensar melhor em algumas demandas no âmbito educacional.
A professora destaca três conceitos que o estatuto traz:
-definição de discriminação racial;
-definição de desigualdade racial e
-a proposta de autodenominação (“população negra é formada por todas as pessoas que assim se classificam”).
Entretanto, observa a professora, o tema mais polêmico não entra no estatuto da igualdade racial que é a questão das cotas raciais.
Concluindo, a professora afirma que devemos pensar quais são as questões que devem estar em contato com os educadores quando esse tema da diversidade da pluralidade nas escolas é abordado e ela destaca três questões que parecem estar bastante presentes no ambiente escolar: o que fazer na escola quanto à temática da pluralidade? será que nós educadores conseguimos lidar com todas as diferenças? é possível ensinar sobre o outro sem tornar o outro alguém exótico?
A professora diz que prefere terminar com dúvidas a terminar com proposições pois trata-se de um tema ainda em construção.
Fica, por fim, a busca tanto pela universalidade dos direitos para todos como pela particularidade dos direitos baseado nas especificidades, afinal, estamos procurando sempre que as escolas sejam mais justas.
DOCUMENTO: ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL