Vídeo-aula 3: O juízo moral na criança - Ulisses Araújo

No caminho percorrido pela história das ciências, propostas interdisciplinares, multidisciplinares e transdisciplinares tiveram sua importância na construção de novos paradigmas. Nesta aula vamos tratar desse tema, e suas possíveis aplicações em sala de aula.


Base da aula: Jea Piaget: 1932 livro sobre como se dá o processo de construção de valores

"Toda moral consiste num sistema de regras, e a essência de toda moralidade deve ser procurada no respeito que o indivíduo adquire por essas regras."

1. a moral está vinculada às regras: uma pessoa moral é a que cumpre as regras da sociedade. Respeita a leis, normas e regras da sociedade. A moralidade humana (os valores humanos) têm relação com o cumprimento das leis e normas da sociedade.

2. respeito x obediência: não basta obedecer por medo de uma punição.

Processo de desenvolvimento do ser humano: a/nomia -> hetero/nomia > auto/nomia >
A pessoa nasce no estado de Anomia. Aprendemos desde que nascemos que a sociedade possui regras.
Heteronomia: a sociedade diz à pessoa o que ela pode ou não pode fazer. A fonte das regras é variada (hetero).
Autonomia: a pessoa entende que a sociedade possui regras, mas elas já estão internalizadas.

como a pessoas passa da anomia para a heteronomia:
1. coação
2. respeito unilateral: não necessariamente acontece no sentido oposto

respeito > amor e medo (de perder o amor)

Isso é fundamental, segundo Piaget, para que a criança construa essa heteronomia, que ela aprenda que ela precisa desenvolver regras, que ela precisa construir regras, que para viver em sociedade e para viver no mundo a gente precisa conhecer as regras que são estabelecidas por essa cultura e por essa sociedade na qual a gente vive.

O problema, de acordo com Piaget, é que em estados autoritários, ou sociedades autoritárias, autocráticas... geralmente as pessoas param o seu desenvolvimento nas fases de heteronomia, ou seja, muitas vezes a escola, a família, com este tipo de relação de coação de respeito unilateral, força as pessoas a obedecerem, a serem obedientes em relação às normas e regras, e essa pessoa vai ser sempre uma pessoa heterônoma, uma pessoa que simplesmente vai cumprir o que os outros mandam ela fazer, e nunca vai fazer as coisas porque ela sabe o que é o certo internamente, que é exatamente a meta, que a gente desenvolva os estados de autonomia, que seria a meta da educação do ponto de vista em valores.
E como, de acordo com o Piaget, que a gente vai trabalhar a construção dessa autonomia com as crianças, jovens e adolescentes?
Por outro tipo de relação, em vez de relações de coação, através das relações de cooperação, em vez do estabelecimento de respeito unilateral, de relações de respeito mútuo, onde essas relações de respeito que envolvem amor e medo elas são trabalhadas por todos os envolvidos naquela relação.

Como a pessoa passa para a autonomia:
- aprendendo cooperação , respeito mútuo (amor e medo)
- enquanto no respeito unilateral o que prevalece é o medo, na relação de respeito mútuo prevalece o amor.
- em vez da coação, a cooperação: o trabalho em mesmo nível, para cooperar.

Para que a criança saia do estado de heteronomia e caminhe para o estado de autonomia, paralelamente, é preciso que seja reduzido o egocentrismo.

A criança nasce egocêntrica, acredita que tudo gira entorno dela, não diferencia os outros dela.
quanto mais nova mais egocêntrica.
O convívio com as regras diminui o egocentrismo.
É preciso que a pessoa esteja menos centrada nela mesma para poder conhecer que existem os outros dentro da sociedade, e a partir daí desenvolver a autonomia.
O que geralmente acontece nas escolas, é que as pessoas confundem anomia com autonomia.
A pessoa que só faz o que está na cabeça dela não considera os outros, as regras , a sociedade.
O sujeito autônomo sabe que há regras, essas regras estão internalizadas, sabe o que é certo e errado, levando as regras da sociedade em consideração.


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ANEXO: Vídeo (ÉTICA X MORAL)


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